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entrou de mansinho.
fechou as portas no caminho.
pé ante pé rumou à sala onde,
perdido no meio da mantilha,
dormia, descarado, o animal
que lhe roubou o sono.
de éter aberto nas mãos,
abocanhou com o corpo a criatura
que não pestanejou nem fez cesura
nos caminhos inconscientes do canal.
o silêncio abateu-se no interior
da alma de quem há muito não fechava
as pálpebras sobre o corpo já deitado.
E, na penumbra do crime que acontecera,
deitou-se e aconchegou-se na mantilha
onde a vil criatura antes morrera ao seu destino fatal.
Rita Falcão Monteiro
2010.09.20 | Porto