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Dá-se o caso que acontece que uns dias tens muito em que pensar.
Noutros expande-se o silêncio e o vazio, e parece que até dói nos ouvidos a falta de ruído.
O vácuo do cérebro, as mãos dormentes, o ar que não circula. A boca entreaberta e a asfixia mental. Os olhos que rebolam, revirando a mente do contrário: o mais recente fica recôndito, e vice-versa.
Abres a porta da entrada aos senhores vagabundos que desalinham a tua mente ordenada em estantes. Fechas os olhos. Reclinas a cabeça para a direita. Colocas as mãos em cruz. Sentas na poltrona.
Ao revés.
Rita Falcão Monteiro | Agosto 2010